August 29th, 2009 by Cochise César
Cabalas são estruturas comuns em Mago. Mas o Módulo Básico é excepcionalmente vago sobre o que uma cabala faz. Sendo assim, nada melhor que um artigo falando um pouco sobre elas.
As cabalas são grupos razoavelmente estáveis de magos. Normalmente é usada como sinônimo de grupo de jogo, mas nada impede que uma parte dos jogadores seja de uma cabala, outra de outra ou mesmo nenhuma. Uma cabala tem um objetivo principal e uma agenda comum. Além é calro de uma história.
Começo dividindo as cabalas em dois tipos. As de aprendizado e as plenas.
Cabalas de aprendizado
São cabalas de magos iniciantes. quando digo iniciantes quero dizer magos que não conhecem bem as tradições, que estão aprendendo como a magia funciona. Ou seja, personagens feitos com menos pontos que o indicado no módulo básico.
Essas cabalas podem ser ainda de dois tipos. As guiadas, que tem um mentor que lhes garante orientação e segurança e cuja principal tarefa é aprender e as independentes compostas por magos recém despertos sem muita orientação nem proteção cuja principal tarefa é sobreviver e tentar entender um pouquinho como o mundo ficou tão bizarro de repente.
Deu para ver que as independentes são as mais interessantes em termos de jogo, não? São delas que saem os órfãos e talvez pequenos ofícios. Ou grupos de magos que depois entram para as tradições mas nunca se adaptam bem e sempre fazem as perguntas que não devem ser feitas, enxergam os defeitos que ninguém mais consegue ver.
Essas cabalas tem tarefas importantes como descobrir o que é a umbra, que seres sobrenaturais existem, quem é quem na guerra da ascensão, etc. são formadas por motivos de segurança mútua e acabam gerando amizades ou inimizades figadais.
Cabalas plenas
Um grupo bem mais amplo. Jogadores teoricamente fazem parte de cabalas plenas. Assim como todos os arquimagos NPC ultra-mega-hiper poderosos. O Controle da Tecnocracia é uma cabala. Ou pode ser visto como uma.
Mas perpassando todos os níveis e experiência, poder e engajamento todas as cabalas tem algumas características em maior ou menos grau.
1 – Agenda
O que a cabala vai fazer esse ano? Tá, sei que o hermético vai aprender enoquiano, que o eutanatos vai fazer uma busca espiritual pelas margens do Estige e que Filho do éter vai gastar meses na construção do mecanotropo primus cognis, mas o que a cabala vai fazer? Cabalas jovens, que ainda estão se entrosando não tem uma agenda comum, mas a medida que o tempo vai passando, que os laços vão se estreitando e os personagens vão salvando os traseiros uns dos outros as pessoas começam a achar as afinidades e fazer programas juntos. Assim como o pessoal da escola sai em excursão para o Hopi Hari a cabala vai investigar os artefatos chineses descobertos há pouco.
O planejamento da agenda pode ir desde o Cronograma da tecnocracia que é feito a cada 50 anos, reavaliado a cada dez e ajustado anualmente até algo bastante informal. O importante é que a cabala tenha um número razoável de atividades em comum.
2 – Posicionamento
Mago é um jogo político. Também político. E as peripécias politicas podem ser o ambiente para muita metafísica, evolução espiritual, descobertas importantes, dramas emocionais, horror pessoal, guerra ideológica, guerra aberta e pancadaria pura. Existem inimigos. e a cabala tem que dizer de que lado está. E tem que demonstrar isso. Tem que ser atuante para ser respeitada. Quem respeitaria uma cabala que se diz aintivampírica que não se engaja na guerra massara?
3 – Rotina
Uma cabala tem tarefas rotineiras. Não botar o lixo ou lavar as vasilhas, mas participar de eventos, encontros amplos. Se reunir para ritos particulares, manter a paz com os espíritos, estudo e experimentação. Nem tudo na cabala se faz de problemas. Há coisas para se fazer no dia a dia.
O principal desses três pontos é a agenda. O que define a sua cabala? É um grupo de adeptos e etéreos no MIT? É um grupo heterogêneo de ex-órfãos, eutanatos, vazios, akáshicos, adeptos e oradores que planeja transmitir a sua nova mensagem? Oque a união dos membros produz?
Existem cabalas bélicas, de estudo, de experimentação, de exploração, diplomáticas. Provavelmente nesse momento alguém vai falar em algum lugar a favor da diversidade… Bem.. vez por outra uma experimentação não da muito certo e aparece um Shub Nigurath na sala. Nunca se tem apenas um tipo de atividade. Mas sempre se tem um foco. Se não por escolha consciente, por simples afinidade. Se eu sou melhor em fazer apresentações públicas que em me embrenhar na umbra ou arrebentar HIT marks vou acabar fazendo apresentações anti-consenso muito mais que qualquer outra coisa.
O que a cabala mais faz e melhor? Isso depende do que os membros mais fazem e melhor. De como eles interagem. De o quanto um ajuda o outro, quanto um gosta do outro.
Problemas
Veja o seu gruo de amigos. Eles surgiram cada um de um canto, reunidos por algum fator. Desde estarem na mesma sala até coincidências em série. Certamente o número deles variou um pouco por um tempo antes de se estabilizar. Pessoas que tentaram se aproximar e não se adaptaram, pessoas queridas que mudaram de estado, pessoas que eram queridas até ferrarem com todo mundo e sumir. Uma cabala também é assim. às vezes sinto uma tendência a verem uma cabala como algo tão estável quanto um grupo de amigos, mas o grupo demorou a chegar nesse estado.
O que quer dizer que uma cabala estabelecida tem uma área de afinidade. Membros não afins não estão mais lá. Por mais que hajam poucos magos na cidade, as pessoas não ficam em lugares onde não se dão bem com os outros.
Os problemas surgem quando cada um faz o personagem que acha mais legal sem nem imaginar o que o outro vai fazer, sem receber uma dica do narrador e a cabala que deveria ser um grupo estável vira um barril de pólvora. Claro que problemas internos são legais, mas como explicar o fato do cara antissocial estar na cabala há um ano e nas primeiras duas horas de jogo ser inimigo de metade dos outros membros?
voltando a bater na tecla, a cabala é um corpo de convivência e tem tarefas comuns, uma agenda comum e de fora é vista como um todo homogêneo que tem a obrigação de resolver seus problemas internos internamente.
Se for começar com uma cabala plena já formada, lembre que os personagens precisam ter essa área de interesse comum. Se quiser montar a cabala no jogo, um personagem mais alternativo vai ficar de fora, porque vai ver o seu gancho e se perguntar “O que eu tenho a ver com isso?“.
Se em uma perspectiva de eficiência do grupo diante de desafios personagens diferentes são uma boa pedida em termos de convivência não. O costume de evitar repetir tradições pode ser um prego no caixão da cabala. Personagens diferentes demais muito dificilmente estarão juntos por vontade própria. Ou existe mesmo gente de todo tipo no seu grupo de amigos?
Pensar na cabala como pessoas que precisam gostar (mesmo que pouco) de estar juntas ajuda a definir melhor o que ela faz quando não tem um problema causado por algum NPC para atrapalhar a rotina.