Lhyar – Questão de fé

April 10th, 2009 by Cochise César

Há alguns anos Anestan Barf morreu. Á 43 ano para ser exato.
Sua família vestiu luto e guardou os três dias de jejum. Ele foi cremado e teve suas cinzas espalhadas na terra que lavrou, como ordenava a Língua.
Então ele voltou.
Sete dias após sua morte, simplesmente voltou para casa e disse a sua esposa que sabia.
Barf adotou o nome de Listot, que segundo ele lhe foi dado pelo Grande Pai Lacoy. Ele reuniu algumas pessoas que começaram a viver como ele e em pouco tempo tínhamos alguns seguidores ensinando outra pessoas e em pouco tempo se formou uma religião. A fé Lacoy.
A fé Lacoy tem alguns princípios básicos difíceis de ser entendidos pela população.
O primeiro deles é o perdão na terra cofiando na justiça de Lacoy. De acordo com a fé, após a morte cada um será julgado por seus tos e será honrado ou amaldiçoado, enquanto a Língua afirma que estamos em julgamento constante por nossos pares (pessoas, animais, natureza) e deixar o julgamento de lado é apenas permitir que os ímpios cheguem imunes até a morte.
O segundo é o poder benevolente. A fé acredita que Lacoy determinou uma hierarquia natural a qual as pessoas devem obedecer calmas e pacientemente. Mulher obedece marido, filho obedece mãe. Essa hierarquia pacifica a terra porque o julgamento de Lacoy pesa sobre os ombros do senhor e o pecado cometido por ordem sua é seu pecado, não do subordinado. A Língua com seu controle do poder por outros poderes terrenos chama essa doutrina de convite à corrupção.
Daí entendemos que a fé Lacoy tenta construir uma sociedade pacífica baseada na consciência individual e no temor ao Grande Pai. Ela determina que os valores a serem alcançados são a pureza, a bondade, o trabalho e a mansidão. É uma religião que espera que o homem se torne melhor do que é.
Já a Língua aceita que não pode confiar no homem e o adverte contra o abuso de seu poder. A lei do equilíbrio da Língua é uma permissão de vingança, desde que proporcional. Filho obedece pai, mas esse tem que respeitar os impulsos desse, assassinato é crime apenas sem motivo, esposa é conselheira do marido e pode vetar suas decisões.
A Língua é uma religião sem deus, mas considera a natureza como ser. Todo ano são realizadas festas em honra aos campos para agradecer a colheita e abençoar o plantio. O casal aduba a terra dos bosques por três meses antes da noite de núpcias para poder cortar as árvores para fazer sua casa, o caçador sempre deixa a primeira presa escapar, o lorde cuida bem do povo que planta para ele. Qualquer desequilíbrio permite ao outro lado recorrer à violência para exigir a sua parte ou simplesmente punir o mau pagador.
Enquanto os adeptos da fé Lacoy se contentam em chamar os seguidores da Língua de Bárbaros esses, dependendo do estado de espírito usam Castrados, Corruptos, ou, quando não querem ofender ninguém Passivos.

Assuntos interessantes:
Divórcio
Impensável na fé Lacoy. O casamento é para ser vivido ate a morte com obediência e resignação.
Já a Língua o considera uma punição que pode ser pedida por qualquer um dos cônjuges. Por ter essa papel de punição que um cônjuge solicita que recaia sobre o outro não é algo bem visto, mas existe.
Poligamia, Poliandria Infidelidade
Completamente proibidas na fé Lacoy pelos mesmos motivos de acima. Na língua é mais complicado…
Se após alguns anos de casamento a mulher não conseguir engravidar ela tem o direito de procurar outros homens, mesmo casados, desde que seja discreta, o que indiretamente permite a infidelidade dos homens se a iniciativa partir da mulher casada e que não engravidou. Mas como a linha sucessória é feminina o homem não tem esse direito, uma vez que o herdeiro vai ser da mulher e não dele. No entanto se um dos dois não cumprir com suas obrigações conjugais o outro pode solicitar o divórcio. Como essa justificativa só não é humilhante se o outro cônjuge for muito feio e os casamentos são arranjados é comum que as pessoas não reclamem de eventuais infidelidades após vários naos de casamento. Costuma-se dizer nas tabernas depois da décima cerveja que intocáveis são só os jovens ciumentos de suas carnes firmes e aveludadas.
Já poligamia e poliandria são também completamente proibidos. Provavelmente pra não tornar as coisas mais complicadas ainda.
Estupro e Aborto
Apesar de seu princípio de não mansidão a fé Lacoy sabe que enquanto não forem todos convertidos tem que virar os olhos para algumas coisas… Nas cidades assim como nos feudos o estupro é punido com pena de morte e é normal que as crianças nascidas da violência “não vinguem” por razões “naturais”. Mas em teoria o aborto não é permitido.
Nos feudos é costume que as famílias apliquem penas cruéis ao criminoso antes de entregá-lo ao Lorde para que esse decrete a pena de morte. As punições comuns incluem castração (normalmente uma honra reservada à vítima) violação com o cabo de ferramentas (normalmente realizada repetidas vezes), banho com olho fervente e espancamentos. Os culpados de crimes como infanticídio, estupro, tortura e outros abomináveis tem duas alternativas. Sumir ou torcer para os guardas que o capturaram não seguirem a tradição de entregá-lo para a família antes de o levar para o lorde (o que aliás é proibido, já que a família só tem direito de punir o criminoso se ela o capturar mas raros guardas não entregam o criminoso à família e isso os torna impopulares). A única restrição que todos respeitam é que o criminoso tem que ser entregue ainda vivo ao lorde.
Quanto ao aborto, em casos de estupro é considerado normal, e não é proibido, mas a mulher que aborta perde o direito de trair o marido infértil e passa esse direito para ele.
Lembrando ainda que os métodos de abortar não são inócuos e o risco de morte é de aproximadamente 40%.

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Lyahr – O livro

March 25th, 2009 by Cochise César

Tudo em andamento… Até o primeiro encontro virtual de RPG sai o livro com o básico para se jogar em PDF.
Talvez eu lance no evento mesmo, mas aí fica difícil fazer um jogo de estreia lá…
Ainda pensando…
Esse post justifica ausências e esclarece o post críptico anterior, mas nada mais.

PS

Uma pergunta possível é que tipo de história pode ser contada em Lyahr. Não vou dizer que qualquer história pode ser contada. Muito menos que apenas um tipo. Lyahr é uma ilha que está redescobrindo o fantástico enquanto está mergulhada em contradições políticas e sociais. Antes de falar sobre as histórias que podem ser contadas é bom falar sobre coisas que não podem acontecer.
Grupos heterogênios.
É comum jogadores de RPG definirem por exemplo durante a criaão de personagem que cada jogador vai ser de um grupo diferente. Isso não acontece em Lyahr. Um grupo de lordes não vai aceitar um comerciante entre eles. Um lorde ou um aprendiz jamais vão entrar em um grupo de camponeses. O que não quer dizer que as pessoas serão iguais. Um grupo de comerciantes pode ser mais diverso do que um grupo vindo de várais camadas sociais.
Dungeon Crowing
Apesar do recente ressurgimento dos seres fantásticos, estes não são conhecidos por todos. Achá-los envolve andar por ermos desabitados, e mesmo assim e possível não encontrar nada. São criaturas reservadas e caça-las pode ser bastante frustrante. Além disso, nada recompensador, uma vez que ao contrário de certos cenários não se encontra moedas de ouro com animais selvagens ou braceletes mágicos com monstros mitológicos. O normal é encontrar esses seres quando não se espera por eles.
Intrigas Palacianas
Estamos em uma sociedade medieval. A espada é um instrumento político. A última razão do rei. Um autêntico jogo político é um baile de facas onde dinheiro, soldados, envenenamentos, casamentos, sabotagem e outras coisas são necessárias. A maior parte dos lordes segue a Língua que preza o respeito, o equilíbrio e a justiça. Levar alguém à miséria dá a ele o direito moral de tentar matá-lo. Intrigas palacianas não são o bastante e a arte de governar precisa de apoio das espadas dos cavaleiros.

Dito isso, algumas das premissas máximas de Lyhar.
1 – Escolha um lado
coisas estão acontecendo e ninguém pode ficar dos dois lados ou de nenhum. É preciso escolher um. Isso define de quem comercia com você até quem vai tentar te matar. Não existem ateus, não existem neutros. Não confie em ninguém do outro lado.
2 – Ninguéem é permanente
Não confie que quem é rei hoje vai continuar sendo eternamente. Não confie que seu patrono vai continuar podendo te proteger. O mundo está mudando e as pessoas acima de você podem mudar a qualquer momento. E a sua lealdade pode se tornar um peso ao invés de um prêmio. Mas nem pense em trocá-la. Pode custar muito caro.
3 – Ganhe o dia de amanhã
Existem muito poucas pessoas ricas em Lyahr. lembre-se disso. Tente ganhar o dia de amanhã. Afinal você tem gastos. Todos têm gastos. Dinheiro é uma coisa rara e mobilidade social, mesmo em um ambiente de tantas mudanças ainda é uma coisa que demanda anos de trabalho duro.
4 – Tenha família
Pessoas casam aos 14 anos. No campo é costume casar os filhos até os cinco anos, apesar da noite de núpcias só ocorer quando o cônjuge mais jovem completa 14 anos. É normal ter pelo menos três filhos. Alguém só não vai casar caso sua família (ou ele mesmo, mas isso é difícil) tenha caído em desonra.
5 – Se for mulher, o seja no campo
Mulheres no campo são extremamente respeitadas. Elas tem a dura tarefa de manter a casa um lugar de descanso e harmonia para os homens, gerar e criar os filhos, cuidar de doentes e machucados, coletar frutas e verduras frescas e cuidar da horta doméstica mas sevem ser respeitadas. Uma mulher matratada em casa tem o direito de matar seu marido de acordo com a Língua, e os boatos de maridos envenenados ao jantar são usados apra amendrontar jovens quando se aproxima a noite de núpcias. Por outro lado, na cidade a mulher está submetida à dura obediência imposta pela fé Lacoy e é reduzida praticamente a uma propriedade do homem. Deve seguir às normas de vestimenta e conduta, que para ela são bem mais restritivas que as masculinas. Na nobreza as mulheres não tem poder apesar da herança de títulos ser pela linhagem materna e ir para a primeira filha. Essa regra estabalecida pelos sacerdotes da Língua faz com que o casamento da primogênita seja a escolha do próximo lorde e portanto uma das escolhas mais delicadas da poítica. É comum que a família só escolha um noivo para ela quando ela se aproxima dos vinte anos. Além disso a consorte do lorde, seja ele de qualquer posto sempre vai ser a primeira conselheira, a única que pode incitar os súditos a desobedecer o lorde e essa desobêdiência é a única que não pode ser punida pelos lordes.
6 – Sacerdotes tem obrigações
Sacerdotes, seja da Língua seja da fé Lacoy tem obrigações e devem obedecer a seus superiores. Essas obrigações podem ser um templo, um estudo, a administração de uma propriedade da igreja ou toda e qualquer tarefa que tenha sido designada pelo superior a ele.
7 – A magia está voltando, mas isso não significa que você saiba usá-la
Dizer que a maior parte das pessoas não sabe é exagero. NINGUÉM sabe usá-la. No entanto algumas coisas estão se mostrando mais eficeintes. Por exemplo rezar. Ou supertições como não usar vermelho em dias nublados. Ou cumprimentar dezessete donzelas desconhecidas antes do meio dia para ter boa sorte.
8 – Consórcios são necessários
Pessoas com objetivos semelhantes ou unidas por um inimigo comum costumam se reunir em um consórcio. Não é uma reunião informal, muito menos uma ordem iniciática. É possível sair amigavelmente de um consórcio em qualquer momento não crítico, e traí-lo não vai jogar contra você ninguém além dos outros menbros do consórcio. Os consórcios podem ter nome e os maiores chegam a ser ter o poder legal de representar seus integrantes perante a lei. Esses consórcios maiores poderiam até ser chamados de guildas, caso essa idéia e instituição existisse na Lyranha. Os menores são apenas acordos de cavalheiros (ou conspirações se preferir).

PS2
Eu sou contraditório…

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Lyahr – O Baile das Facas

January 29th, 2009 by Cochise César

Em Lyahr houve uma tradição instituída pelos sacerdotes da Língua chamada Baile da Facas. Ocorria todo ano no encontro de lordes local, e todos eles, sem camisa dançavam com a mão direita atada à mão direita de outro nobre e uma faca desembainhada na mão esquerda.
Deveria ser um ritual para fortalecer os laços de confiança. Fara celebrar o fim da era do fratricídio, como os sacerdotes chamavam.
Mas com o acirramento das disputas que veio após um breve período de paz descobriram que essa era não havia acabado, e o Baile das Facas caiu no esquecimento.
O primeiro Baile ocorreu logo depois da coroação dos três reis, quando os sacerdotes, vitoriosos na revolta dos papéis conseguiram finalmente indicar os reis e acabar com as guerras entre tribos.
No entanto não demorou dois séculos para que as guerras surgissem novamente. Não abertas ou declaradas. Muitas vezes revoltas familiares que acabavam em golpes, cercos e batalhas localizadas. Às vezes contendas de terra que eram resolvidas com a força das armas antes que o rei sequer soubesse o que estava acontecendo.
A distribuição de títulos aos lordes acabou ao longo do tempo alimentando a inveja e a raiva, e a proibição de guerra aberta tornou os lordes muito mais insidiosos.
Apesar do grande número de batalhas que ocorreu nos primeiros quatro séculos do reinado todas as batalhas e contendas duraram menos de duas estações.
Isso explica porque os lordes investiram tanto na construção de fortalezas e castelos. se o atacante tinha que ser rápido ou desistir, uma fortaleza que suporte algumas semanas de cerco tornam alguém quase invulnerável.
O cenário político de Lyahr sempre foi conturbado, e em tempo de dificuldades econômicas se torna ainda mais. Quando chove pouco, muito ou na época errada as antigas rivalidades afloram e saques travestidos de ataques podem ser esperados. Bem como ataques travestidos de saques.
A intriga habita as cortes, uma vez que alguns favores podem retardar as ordens de cessar fogo emitia pelo rei, assim como o estratagema certo pode provar que o lorde atacado era um inimigo da coroa.
Casamentos, adoçoõs, sequestros e resgates são moeda de troca corrente nos salões e ensinados como estratégia militar pelos tutores.
Por isso, apesar do baile em si não existir mais, costumam chamar a vida na corte de O Baile das Facas. A delicada dança entre os aliados que podem se atingir fortuitamente a qualquer momento.

Nos dias de hoje, em que os lordes enfrentam grandes dificuldades o ritmo da música parece tr se acelerado.
A migração dos camponeses para as cidades coloca vários domínios em uma situação de falta de mão de obra, aumento dos salários, redução dos impostos, e por issopauperização dos lordes, que estão cada dia mais agressivos. Mesmo com os altos impostos que cobram sobre a exportação de gêneros para as cidades suas finanças estão desequilibradas, além é claro dos movimentos de alguns lordes de reduzir seus impostos artificilamente para falir vizinhos.

Por mais que o rei atual esteja a favor das cidades, se não quiser que os lordes se revoltem em massa terá que prestar atenção a eles, senão o próximo a cair no baile será o próprio rei.

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Lyahr – Regras para Humanos

January 27th, 2009 by Cochise César

Depois de quebrar um pouco a cabeça procurando um sistema livre e que me agradasse para Lyahr, descobri que o que eu precisava para continuar a desenvolver o projeto era um sistema que se adequasse ao que eu queria.
É uma mistura de Falkestein com Storyteller com alguns conceitos de D&D, e eu não precisava estar contando isso, mas acredito em transparência.

Existem três tipos de características. As habilidades, as técnicas e os equipamentos.
Todos os testes são feitos com base em habilidades, não existem atributos, e aqui está a contribuição de Falkestein.
Os atributos vão de 0 a 5 e formam pilhas de dados de dez lados, que são jogados conta a dificuldade “fixa” 8 para acumular sucessos, e aqui está a contribuição Sstoryteller.
Equipamentos são usado para reduzir a dificuldade dos testes de habilidades. Eles podem ir de 0 a -2, e aqui está a contribuição de D&D.
Técnicas são exatamente isso. Técnicas especiais. Elas aumentam a parada de dados em até dois dados, fazendo com que seja teoricamente possível jogar uma parada de sete dados.
O primeiro e o segundo níveis de uma técnica requerem o nível 3 e o 5, respectivamente de uma habilidade.

Um personagem iniciante começa com 12 pontos de habilidade, os quais pelo menos três tem que ser distribuídos nas habilidades classificadas como “vida” e um ponto de equipamento.

A mecânica básica é a de sistemas de pilhas de dados. Contar sucessos, reduzir sucessos adversários se for um teste resistido e a coisa toda.


PS = apesar de que não espero que ninguém vá realmente jogar isso antes de eu dar uma polida e tanto no cenário e sistema, combate é armado e luta desarmada. Farsa inclui mentir, representar e fingir de todas as formas. Artesanato inclui todas as profissões normais como marcenaria, fiação, construção civil, etc. (naquela épocaas coisas eram simples o bastante para as pessoas saberem fazê-las)

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Lyahr – Os Estranhos da Floresta

January 9th, 2009 by Cochise César

O Contrato é a coisa mais antiga que temos e ele vai se esvaindo dia a dia. O Lorde protege os camponeses e os camponeses trabalham para os Lordes. Uma troca justa. Agora, essas cidades simplesmente dizem que não precisam de proteção e que a única coisa que os lordes fazem é explorá-las. Elas deveriam ser varridas do mapa. Mas agora esse usurpador é rei e as defende.
Mas é por causa da sua coroação que estou aqui.Todos ficaram sabendo da criatura horrenda que surgiu para nos mostrar que aquilo era uma abominação. E se coisas como aquela podem existir, os boatos que os lenhadores espalham podem ser verdade.
Eles estavam pedindo que algum lorde entrasse na floresta para caçar esses vultos há seis meses… Mas quem acreditaria nas maluquices que eles contavam? Mesmo quando Marv e Jackson desapareceram há três semanas nós cavalgamos procurando por ladrões, não por aberrações.
Cá estou eu então, sem armadura ou cavalo. Sem trompa ou arco. Isso é uma caçada, como tantas outras que empreendi nessa floresta, mas eu sou a presa. Por baixo dos andrajos que me coçam horrivelmente está a minha espada.
Essa floresta sempre foi nossa. A cada estação a agraciamos com o culto e o sacrifício, como diz a Língua. Ela não pode se rebelar, ou pior, nos ser roubada como as cidades foram.
Por isso não sairei daqui até achar esses monstros sejam o que forem e mostrar para eles que a floresta é nossa.

Existe alguma coisa errada aqui. Só existe uma coisa que pode gerar um silêncio desses no coração de uma floresta. Nem mesmo as folhas farfalham ao vento. alguma coisa morreu aqui. De um jeito errado. A terra foi regada com dor e sangue dos agonizantes. Isso é uma heresia sem limites. Preciso de freixo e carvalho.

Há alguém aqui. Um vulto silencioso o bastante para me atacar de surpresa. Quis que eu o visse.
Ou é uma armadilha ou uma ameaça.
E o pior. É um guarda desse lugar profano. Que assim que eu começar a purificação vai me atacar pelas costas. Sigo o mais cautelosamente possível na direção oposta a onde vi o vulto. Logo o vejo passar a minha frente. Sim. Ele quer me afastar daqui. Minhas mãos começam a suar. Já tenho certeza há alguns minutos de que essa coisa não é humana e sei que é um herege odioso. Contenho a vontade de desembainhar a espada e entrar logo em combate. Tenho que descobrir o que ele está escondendo aqui.
A medida que avanço o cheiro de podridão começa a se tornar mais penetrante. Não apenas morreram coisas do modo errado, como continuam morrendo.
Ali está ele. Parado nas sombras. Parece que aqui é o mais perto que chego sem o enfrentar. Desembainho a espada e penso no que deve ter acontecido com Marv e Jackson para ganhar força em minha investida. Eu protejo essas pessoas. Você as mata.
A criatura de pesadelo tinha a pele parecida com casca de árvore. E era pelo menos quarenta centímetro maior que eu. Desarmada, mas cada braço tinha pelo menos a grossura de um torso de homem. Ao atingir seu braço com a minha pesada espada, por sorte não ficou presa na pele dura dessa coisa. Seu sangue era espesso e transparente. Ela não devia estar esperando um ataque, porque demorou ainda alguns instantes para reagir, mas quando o fez foi com tal rapidez que não sei bem onde ela me atingiu. Estava caído ao chão flutuando num mar de dor. Cada partícula desse mar fedia a carne em decomposição.
Que os espíritos da terra me guiem,
E que eu nunca os destrate.
Que a luz do sol me fortaleça,
E que eu nunca a renegue.
Que a esposa seja poder e fertilidade,
E que eu nunca a maltrate.
Que o filho seja força e juventude,
E que eu nunca o castre.
Que a filha seja livre e exuberante,
E que eu nunca a encarcere.
Que eu seja poder e sabedoria,
E meu sangue nunca me falhe.
Quando terminei a oração já podia ver novamente e a dor tinha se reduzido a algo que podia suportar. Tinha sido uma pancada na cabeça. Minha orelha esquerda devia ter se reduzido a um amontoado de carne amassada. Estava em meio a um monte de carniça apodrecendo. Não havia vermes, insetos ou outras coisas. Apenas cadáveres de animais e o que havia restado de Marv e Jackson. Em torno, enfiados pela metade na terra negra estavam as crianças dessas criaturas. Tinham pouco mais de um metro as maiores enquanto as menores tinham não mais que trinta centímetros. Eram plantas que estavam nos usando como adubo. Plantas que andavam. Que nos viam como um pedaço de comida. Pelo menos pensavam que eu estava morto. Seria possível fugir a noite, se dormissem. E porque não dormiriam, se as plantas amam o sol?
Que meu sangue não me falhe e consiga suportar as longas horas até o por do sol nessa pilha de imundice. Que nosso furor não seja pequeno e essas aberrações paguem cada morte.
Assim que voltasse iria até seu pai, senhor do condado de Maern iriam organizar o extermínio desses seres. E contar ao sacerdote a razão da proibição de se regar o solo das florestas com o sangue dos combates. Plantar uma má semente gera uma má árvore. Nas reciprocidades da Língua é esse o fruto de plantar morte no solo da vida.
E os hereges que moram nas cidades desdenham da Língua com sua fé baseada na opressão da família pelo patriarca e no castigo do corpo para alcançar graças.
Tem que ter sido um desses infiéis que começou tudo matando algum ladrão dentro da floresta e desrespeitando o tabu. Estúpidos.

Os monstrinhos tinham parado de se mover e fazer estalos estranhos. O sol se pôs a pelo menos uma hora. Era agora. Levantei silenciosamente e m esgueirei para fora. Não me atrevi a acender uma tocha durante nenhum momento do caminho. Durante a longa e angustiante viagem pela floresta sombria ninguém, me incomodou, mas tampouco ouvi o piar das corujas ou o uivar dos lobos. Ou essas aberrações estavam dizimando os animais da floresta para de alimentar ou eles estavam tão horrorizados quanto eu. Em dois dias no máximo iríamos com tochas de freixo e carvalho purificar aquele lugar. E se as aberrações que oram geradas não caírem diante da fumaça purificadora, cairiam debaixo de machados. E esses malditos urbanos infiéis seriam avisados pela última vez sobre obedecerem as leis.O Contrato é a coisa mais antiga que temos e ele vai se esvaindo dia a dia. O Lorde protege os camponeses e os camponeses trabalham para os Lordes. Uma troca justa. Agora, essas cidades simplesmente dizem que não precisam de proteção e que a única coisa que os lordes fazem é explorá-las. Elas deveriam ser varridas do mapa. Mas agora esse usurpador é rei e as defende.
Mas é por causa da sua coroação que estou aqui.Todos ficaram sabendo da criatura horrenda que surgiu para nos mostrar que aquilo era uma abominação. E se coisas como aquela podem existir, os boatos que os lenhadores espalham podem ser verdade.
Eles estavam pedindo que algum lorde entrasse na floresta para caçar esses vultos há seis meses… Mas quem acreditaria nas maluquices que eles contavam? Mesmo quando Marv e Jackson desapareceram há três semanas nós cavalgamos procurando por ladrões, não por aberrações.
Cá estou eu então, sem armadura ou cavalo. Sem trompa ou arco. Isso é uma caçada, como tantas outras que empreendi nessa floresta, mas eu sou a presa. Por baixo dos andrajos que me coçam horrivelmente está a minha espada.
Essa floresta sempre foi nossa. A cada estação a agraciamos com o culto e o sacrifício, como diz a Língua. Ela não pode se rebelar, ou pior, nos ser roubada como as cidades foram.
Por isso não sairei daqui até achar esses monstros sejam o que forem e mostrar para eles que a floresta é nossa.

Existe alguma coisa errada aqui. Só existe uma coisa que pode gerar um silêncio desses no coração de uma floresta. Nem mesmo as folhas farfalham ao vento. alguma coisa morreu aqui. De um jeito errado. A terra foi regada com dor e sangue dos agonizantes. Isso é uma heresia sem limites. Preciso de freixo e carvalho.

Há alguém aqui. Um vulto silencioso o bastante para me atacar de surpresa. Quis que eu o visse.
Ou é uma armadilha ou uma ameaça.
E o pior. É um guarda desse lugar profano. Que assim que eu começar a purificação vai me atacar pelas costas. Sigo o mais cautelosamente possível na direção oposta a onde vi o vulto. Logo o vejo passar a minha frente. Sim. Ele quer me afastar daqui. Minhas mãos começam a suar. Já tenho certeza há alguns minutos de que essa coisa não é humana e sei que é um herege odioso. Contenho a vontade de desembainhar a espada e entrar logo em combate. Tenho que descobrir o que ele está escondendo aqui.
A medida que avanço o cheiro de podridão começa a se tornar mais penetrante. Não apenas morreram coisas do modo errado, como continuam morrendo.
Ali está ele. Parado nas sombras. Parece que aqui é o mais perto que chego sem o enfrentar. Desembainho a espada e penso no que deve ter acontecido com Marv e Jackson para ganhar força em minha investida. Eu protejo essas pessoas. Você as mata.
A criatura de pesadelo tinha a pele parecida com casca de árvore. E era pelo menos quarenta centímetro maior que eu. Desarmada, mas cada braço tinha pelo menos a grossura de um torso de homem. Ao atingir seu braço com a minha pesada espada, por sorte não ficou presa na pele dura dessa coisa. Seu sangue era espesso e transparente. Ela não devia estar esperando um ataque, porque demorou ainda alguns instantes para reagir, mas quando o fez foi com tal rapidez que não sei bem onde ela me atingiu. Estava caído ao chão flutuando num mar de dor. Cada partícula desse mar fedia a carne em decomposição.
Que os espíritos da terra me guiem,
E que eu nunca os destrate.
Que a luz do sol me fortaleça,
E que eu nunca a renegue.
Que a esposa seja poder e fertilidade,
E que eu nunca a maltrate.
Que o filho seja força e juventude,
E que eu nunca o castre.
Que a filha seja livre e exuberante,
E que eu nunca a encarcere.
Que eu seja poder e sabedoria,
E meu sangue nunca me falhe.

Quando terminei a oração já podia ver novamente e a dor tinha se reduzido a algo que podia suportar. Tinha sido uma pancada na cabeça. Minha orelha esquerda devia ter se reduzido a um amontoado de carne amassada. Estava em meio a um monte de carniça apodrecendo. Não havia vermes, insetos ou outras coisas. Apenas cadáveres de animais e o que havia restado de Marv e Jackson. Em torno, enfiados pela metade na terra negra estavam as crianças dessas criaturas. Tinham pouco mais de um metro as maiores enquanto as menores tinham não mais que trinta centímetros. Eram plantas que estavam nos usando como adubo. Plantas que andavam. Que nos viam como um pedaço de comida. Pelo menos pensavam que eu estava morto. Seria possível fugir a noite, se dormissem. E porque não dormiriam, se as plantas amam o sol?
Que meu sangue não me falhe e consiga suportar as longas horas até o por do sol nessa pilha de imundice. Que nosso furor não seja pequeno e essas aberrações paguem cada morte.
Assim que voltasse iria até seu pai, senhor do condado de Maern iriam organizar o extermínio desses seres. E contar ao sacerdote a razão da proibição de se regar o solo das florestas com o sangue dos combates. Plantar uma má semente gera uma má árvore. Nas reciprocidades da Língua é esse o fruto de plantar morte no solo da vida.
E os hereges que moram nas cidades desdenham da Língua com sua fé baseada na opressão da família pelo patriarca e no castigo do corpo para alcançar graças.
Tem que ter sido um desses infiéis que começou tudo matando algum ladrão dentro da floresta e desrespeitando o tabu. Estúpidos.

Os monstrinhos tinham parado de se mover e fazer estalos estranhos. O sol se pôs a pelo menos uma hora. Era agora. Levantei silenciosamente e m esgueirei para fora. Não me atrevi a acender uma tocha durante nenhum momento do caminho. Durante a longa e angustiante viagem pela floresta sombria ninguém, me incomodou, mas tampouco ouvi o piar das corujas ou o uivar dos lobos. Ou essas aberrações estavam dizimando os animais da floresta para de alimentar ou eles estavam tão horrorizados quanto eu. Em dois dias no máximo iríamos com tochas de freixo e carvalho purificar aquele lugar. E se as aberrações que oram geradas não caírem diante da fumaça purificadora, cairiam debaixo de machados. E esses malditos urbanos infiéis seriam avisados pela última vez sobre obedecerem as leis.

PS
Tópico sobre Lyahr iniciado no nosso fórum

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Lyahr – Ghosts in the shell 2

December 24th, 2008 by Cochise César

Lyahr é um lugar onde a economia é totalmente voltada para o mercado interno, no máximo algum comércio com as outras ilhas do arquipélago.
O arquipélago costuma ser chamado de Lyranha pela população e existe uma similaridade cultural que sempre fez com que eles pensassem em si como um único povo. Com aproximadamente 300.000 quilômetros quadrados é relativamente pequena.
Historicamente se organizou através da Língua nos encontros dos sacerdotes. Esses encontros eram grandes festas que aconteciam a cada dois anos onde se fundou posteriormente a cidade de Soubu, que foi por séculos a maior, até que a cidade de Lyahr, começou a se desenvolver com a manufatura de ferro. Além desse encontro bienal havia uma série de encontros locais que culminavam em treze encontros regionais e finalmente em um encontro para toda a ilha que precedia o encontro das três ilhas. A estrutura religiosa e a política se confundiam, e se os lordes tinham poder de julgar e decidir sobre as lavouras, os sacerdotes podiam vetar qualquer ação deles.
A estrutura política foi criada pelos sacerdotes da Língua para acabar com as guerras entre tribos, e se baseava em um rei em cada ilha que recebia todo ano homens e dinheiro, para formar o exército, onde o espírito de unidade seria mantido. O Rei conciliava nobres em disputa e as guerras eram evitadas. Assim, os lordes assumiram o poder político e o Rei os coordenava. A cada dois anos no encontro os três reis se encontravam e selavam os pactos de amizade.
Os problemas começaram quando as vilas surgiram. Elas surgiram a partir das feiras, que ocorriam a casa dois ou seis meses em planícies que eram campos comuns, ou seja, de nenhum lorde. Os lordes controlavam sua casa, as terras de cultivo e as comunidades rurais. As recém nascidas vilas organizaram conselhos de seus moradores ilustres e prosperaram quando artesãos decidiram se instalar nelas e poupar as viagens das feiras até as comunidades onde tinham suas oficinas.
Assim, as vilas prosperaram e viraram cidades enquanto os lordes perderam habitantes, impostos e poder político.
Nessas cidades surgiu a fé Lacoy, que rapidamente conquistou muitos fiéis, uma vez que abandona uma série de práticas e valores primitivos da Língua, que eram mais adequados a tribos que a pessoas já civilizadas. Além disso a fé Lacoy defende valores como a autoridade do indivíduo, a compaixão pelos inimigos, o trabalho como forma de oração, e uma série de outras coisas que falam fundo aos seres urbanos.
Apesar de ser quase unânime nas cidades, a fé Lacoy enfrenta resistência entre os camponeses que dizem que ela desarticula a família, a natureza e a autoridade. A disputa econômica entre o campo e as cidades, a disputa política entre os lordes e os prefeitos, está também grávida de uma disputa religiosa entre a Língua e e a fé Lacoy.
Como último ato desse cenário temos o golpe que Horn-Iss, que é seguidor da fé Lacoy arquitetou contra seu irmão que professa a Língua. Desde então os ânimos estão exaltados por causa das medidas tomadas por Horn-Iss, como reconhecer as cidades e criar um Conselho Real onde participam lordes e prefeitos para aconselhá-lo e redigir as leis. Mas o que gerou mais revolta foi aceitar jovens das cidades no exército, acabando com o monopólio dos lordes sobre ele.
As mudanças que ocorrem na ilha de Lyahr tem gerado insegurança nos outros reinos, que ainda não tem cidades tão grandes ou importantes como Lyahr, mas onde um clima de inquietação cresce a cada dia.
As outras ilhas são Iren a leste e Sot a norte, ainda basicamente agrárias e onde há uma ou duas vilas que se poderia chamar de cidades.

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Lyahr

December 23rd, 2008 by Cochise César

Horn-Iss estava furioso com o rumo que as coisas tomavam. Seu irmão era míope e só sabia apoiar lordes tradicionais e em breve iria causar uma revolta popular que destruiria toda a dinastia que estava sobre o trono de granito há mais de setecentos anos. Por si teria dado uma boa surra em Masur-Iss e mandado ele se tornar um rei em vez de um representante dos lordes. Acontece que ele, aquele inepto era o rei.
― Eles vão te ouvir agora ― o pajem veio dizer. Em seguida voltou para a grande porta de carvalho de onde veio, e Horn-Iss o seguiu. Do outro lado estavam eles, os autoproclamados Conselheiros Urbanos e o Prefeito. Tinha sido idiotice não organizar as cidades. Elas se organizaram sozinhas. Sem a gente. Suas próprias lei, seus próprios impostos. Agora que tinham isso não iam voltar atrás porque os lordes perceberam o que estavam perdendo. As cidades não se sujeitariam sem guerra.
O parlamento onde entrou era todo em madeira esculpida e envernizada. As cadeiras dos quase cem homens presentes eram estofadas em camurça tingida de carmim. As manufaturas, as guildas ficavam nas cidades. E elas pagavam impostos às cidades. Elas tinham o dinheiro.
Me encaminhei à tribuna dos visitantes.
― Eu sei que querem ouvir de minha boca que o Rei reconheceu a autoridade das cidades de se governarem. Ele não disse isso. Não disse porque o palácio Lyahr é mantido por contribuições dos lordes e não das prefeituras. Não disse porque os exércitos reais são formados por tropas cedidas pelos lordes, e não pelas prefeituras. Porque o compromisso do Rei é com os lordes e foi assumido na coroação, e não será quebrado. Eles tentarão submeter as cidades, e sei que não abdicarão do direito de governarem a si, que não se entregarão sem luta. E toda Lyahr se verá afogada em guerras em cada cidade. E o comércio que faz das cidades ricas morrerá, e os lordes dominarão cidades em ruína física e econômica que demorarão décadas para voltar a ter a pujança de hoje. A batalha e o derramamento de sangue são inevitáveis. O que proponho a vocês é que o invés deles ocorrerem sistematicamente em todas as cidades das ilhas ocorra apenas a guerra necessária para trocar de rei.
Eles estavam estarrecidos. Todos os presentes olhavam com incredulidade para Horn-Iss que tinha entrado a sala como representante do Rei.
― Infelizmente a única maneira de impedir que este frágil país caia na barbárie é um golpe de estado que tire o rei e seus compromissos inquebráveis do trono de granito e lá coloque um que tenha um compromisso não apenas com os lordes, mas com os prefeitos, as guildas, as manufaturas e tudo que for bom para a população não apenas de Lyahr, mas de toda a Lyranha. Um compromisso de libertar as cidades existentes da autoridade dos lordes, para que possam também escolher seus governantes. E mais ainda, criar um Conselho Real para o Rei, como temos os Conselhos Urbanos para os prefeitos. Nós temos que dar esse golpe.
Os prefeitos e conselheiros das vinte e seis cidades livres que se reuniram no Conselho Urbano de Soubu para negociar seu reconhecimento com o rei estavam atônitos com a traição, mas sabiam que era tudo verdade. Era a guerra ou a barbárie. Horn-Iss seria rei com o apoio das cidades e para isso mataria seu irmão. Só esperavam que a escolha fosse motivada pelo bem maior e não pela ganância, mas seria feito. Era isso ou a barbárie.

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Lyahr – Ghosts in the shell

December 22nd, 2008 by Cochise César

Por que eu que não gosto de medieval resolvi colocar uma coisa de medieval aqui, afinal?
Porque estive juntando idéias…
1 – Lyahr é um arquipélago bem grande com três ilhas principais e algumas dezenas de menores que fica muito afastado da costa. Apesar de serem bons marinheiros e saberem que existe o continente mais além é uma viagem muito longa cara e perigosa para valera pena. São aproximadamente 800 KM de distância e os ventos não colaboram.
2 – É uma região que está no meio de duas transições culturais. A Língua é a primeira e mais bárbara cultura/religião do lugar. Suas origens se perdem no passado, mas é cheia de lendas sobre o mundo antes deles como ainda mais bárbaro e perigoso, e um tantinho fantástico.No entanto junto com a consolidação do império surgiu uma religião que rapidamente se espalhou. A fé Lacoy, de princípios pacifistas, humanistas e tudo de bom. Mas como o que é bom dura pouco se envolveu demais com o governo dos lordes. O império levou a uma grande urbanização de Lyahar, principalmente a capital também chamada Lyahr que tem quase seiscentos mil habitantes. A vida está se reorganizando, os lordes perdendo poder para os prefeitos se envolvem em disputas e às vezes batalhas e a manufatura está substituindo a agricultura como principal fonte de renda. No meio disso temos vilas menores que seguem à Língua e lordes que vêem sua terra perdendo valor.
3 – Por algum motivo desconhecido as lendas de antes da Língua começam a ressurgir. Por enquanto ainda não há um motivo conhecido, mas tem provocado grande problemas e batalhas. Alem de tudo a magia começa a ressurgir, gerando mais problemas…
4 – Não é um mundo estabilizado depois da crise, mas um mundo prestes a cair de cabeça nela.
5 – Talvez eu fique só nos contos
6 – Help. Preciso de um sistema bom, ou seja sem classes, níveis ou talentos, mas com um bom suporte para combate e que seja simples. (Vou reler ACN)

PS
Ghosts in te shell é uma expressão que significa fantasmas na casca. Resolvi usar para expor as motivações por trás das coisas que crio. Não tem nada a ver com o anime. É quase o antônimo de Deus Ex Machina.

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Lyahr

December 22nd, 2008 by Cochise César

As ruas de Lyahr estavam cheias. Era a festa de coroação do rei após derrotar seu irmão primogênito. A batalha tinha sido longa e sangrenta, e atravessado os muros da cidade e atingido vários bairros. Havia alguns cavaleiros bêbados com suas armaduras manchadas de sangue e poeira, muitos soldados carregados com a pilhagem recém adquirida e vários curiosos.
Aluns prisioneiros estavam sendo executados enquanto se preparava a coroação de Horn-Iss IV. Ele fazia questão de ser coroado segundo a velha lei, o que poderia ser considerado barbárie, mas sempre tinha amedrontado os opositores.
Naturalmente o arcebispo estava se mostrando ofendido, mas o perdão já tinha sido acordado em 22 Tauns de prata, portanto era só encenação. Quando o sacerdote pagão subiu ao cadafalso toda a multidão parou para olhar o espetáculo que seria oferecido. Poucos ainda sabiam a Língua, mas as preces que ele entoava eram assustadoras mesmo sem saberem o significado.
Horn-Iss subiu então vestindo uma pele de gamo com o corpo pintado e acenou para o carrasco trazer os prisioneiros.
Seu irmão Masur-Iss, suas três esposas e doze filhos e filhas foram trazidos. A regra era clara. Um da cada vez seriam soltos para que Horn-Iss os matasse com as mãos. Eram proibidos estrangulamentos ou golpes com os pés. Começando pelos filhos mais novos, passando pelas mulheres até que Massur-Iss teria a chance de vingar seu sangue e lutaria até a morte com Hon-Iss. Era um teste de resistência e força ao futuro rei.
A platéia estava extasiada com a força e velocidade de Horn-Iss, que com apenas duas horas de luta já estava lutando com a última mulher de seu irmão, quando aconteceu. O gigantesco lagarto desceu pelas paredes do castelo atrás do cadafalso. Preto e esguio, devia medir pelo menos trinta metros, e graças ao espetáculo ninguém notou sua aproximação. Quando ele urrou as mulheres crianças da platéia choraram, os homens estremeceram e a luta parou. Então o lagarto abriu imensas asas de couro como mantos negros e alçou vôo. Enquanto todos observavam atônitos sua majestade e poderio ele mergulhou e levou consigo quando arremeteu pelo menos dez pessoas. Enquanto se dirigia ao horizonte para devorar suas presas com calma foi atacado pelos arqueiros que guardavam uma das torres da cidade. Um ato corajoso que lhes rendeu uma morte horrenda, pois o demônio com habilidades surpreendente pôs-se a vomitar fogo sobre a torre. E então sumiu.
Em meio à balburdia que se seguiu Masur-Iss fugiu com sua última mulher, e apesar de não ter sido visto correm boatos de que está organizando um exército para retomara coroa de seu irmão.
Horn-Iss foi coroado à maneira tradicional, no ritual de caça ao gamo e depois recebeu a bênção do arcebispo.
Desde aquele dia se passaram treze meses e parece que quanto mais tempo passa mais estranhas as coisas ficam. As ilhas nunca mais serão as mesmas, porque as lendas anteriores à Língua estavam voltando à vida. Dragões, povos da floresta, espíritos das charnecas, fantasmas do vento e toda sorte de monstro pareciam estar de volta.
Tempos estranhos se instauraram. Tempos mais duros e cruéis, se pode haver isso. Tempos mais perigosos e misteriosos.

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