Bajo Barniz – Fardos v0.9
March 9th, 2009 by Cochise César
A maior parte das pessoas passa incólume pela vida. como se não fosse nada demais. Alguns são mais azarados. Existem algumas pessoas que nascem predestinadas à perdição, ou que dobram a esquina errada em algum caminho e nunca mais são as mesmas.
Pessoas assim acabam descobrindo a verdade. Talvez por puro azar, porque a verdade não liberta ninguém. Os fardos que cada um tem que carregar definem para qual abismo eles vão ser puxados. A força de cada um mede a sua vontade de não afundar demais sob o verniz.
Conhecimento Proibido
Consciente ou inconscientemente você sabe algo que não devia. O nome de um deus, a localização da entrada de um inferno, os planos antiéticos da multinacional onde trabalha, etc. Ele pode ser inclusive totalmente mundano, e seja apenas o estopim para o encontro com o oculto.
Você pode ser abordado por pessoas que querem esse conhecimento, ou que querem garantir que ele não vai se espalhar.
Segredo de família
Há algo podre em seu sangue. Algo que você tem que manter em segredo, talvez algo que você seja. Não pega bem contar que sua família comete incesto ritual ou cuida de uma cobra monstruosa no porão. Talvez seja ainda pior… você podem ser canibais, vampiros, licantropos…
Esse tipo de pessoa começa a ter problemas muito cedo… de certo modo ele nunca esteve acima do verniz.
Possuído/Assombrado
Alguma entidade sobrenatural gosta de você. Demônio, fantasma, santo ou saci o fato é que há algum tempo ele te acompanha. Seja como assombração seja por possessão. Sempre que acha qeu fugiu ele aparece de novo. Pior que antes.
Pacto
Seja por ganância sem limites seja por desespero mortal você fez um pacto com seres absurdos. Cada pacto tem as suas cláusulas. Pode ser o sangue de seu filho, pode ser sua alma, pode ser o sacrifício de cem virgens. Pode ser uma dívida a ser paga depois da morte ou em até poucos anos. Os termos variam, a estrutura não. Você recebeu ou está recebendo alguma coisa e tem que pagar. E esses seres são excelentes cobradores.
Experiência com o oculto
Coisas que não deviam acontecer aconteceram. E você estava lá. Seja como sacerdote seja como vítima de sacrifício, seja como cientista seja como viajante azarado você encontrou sere que não deviam existir, viu coisas que desafiam a realidade, talvez até tenha escapado por um triz de ser tragado para dentro de um quadro ao visitar a biblioteca do internato às três da manhã.
Talvez esteja em busca de mais, ou tentando esquecer o que aconteceu. Só que esse tipo de coisa nunca o abandona.
Guardião
Seja por herança seja por algum pedido estranho do seu amigo que você jurava que tinha morrido no Sri Lanka você tem algo em seu poder que precisa tomar conta. Ou alguém acha que tem. E existe gente (ou coisa que o valha) interessado nisso.
Maldição
Talvez o mais azarado de todos. Todos os problemas do pacto sem nenhum dos benefícios.
Sua maldição pode ser hereditária ou adquirida em algum momento. Pode ser algo simples como morrer treze dias após dos trinta anos ou coisas mais sutis como sempre ter azar quando houver algo vermelho por perto. Ou sugar a vida de quem toca. O sadismo e a criatividade de quem lançou a maldição são o limite. E a sua capacidade de encontrar um meio de quebrá-la.
Escolhido
Astrologia, tipo sanguíneo, posição na árvore genealógica… qualquer um desses fatores pode ser a causa. ou o acaso puro e simples. O fato é que você é uma peça importante para alguma coisa. Seja como sacerdote seja como vítima. Talvez já tenham te pegado e transformado em algo menos que humano. Se sobrar tempo para pensar enquanto tenta escapar pode pensar em todos esses detalhes.
Ou talvez essa seja a resposta de porque não se lembra de nada antes dos nove anos.
Culpado
O passado volta como um trem desgovernado em todas as suas noites de insônia para relembrar o que você fez. Pode ser que o passado seja sua consciência ou o pai da garota que você atropelou. Ele está vindo pelas escadas. Ele sempe está vindo. E você não pode dormir. Nunca mais.
Pode ser que os experimentos de privação de sono fossem mesmo apenas brutalidade com os presos. Pode ser que a garota na festa realmente quisesse dizer não quando dizia não. Pode ser que o lobo em quem atirou na última caçada tenha amigos.
O passado sempre volta. Daqui a pouco abre a portado quarto.
Vítima
Já visitou todos os psicólogos, já aprendeu as técnicas de defesa pessoal, já mudou de nome. O medo continua lá. O medo e talvez alguma sequela mais grave. Ou uma perda maior que um membro.
Só existem dois caminhos. O medo para sempre ou atravessar o mundo se preciso para achar quem fez aquilo com seu filho que mal tinha saído da maternidade.
Medo e ódio costumam se alternar com uma frequência incrível.
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