[Mago a Ascensão] Despertar na lama
June 7th, 2009 by Cochise César
Image by nicole st. john via Flickr
Ontem finalmente tive tempo para uma crônica One Shoot.
Umas quatro horas de duração com direito a tudo que o Fabuloso Destiny’s Price nos oferece. Sadismo, desorientação, desespero, fuga, traição, dor e todos os elementos que fazem do RPG um jogo maravilhoso.
Com meu grupo fiel de jogadores de alto nível em quem confio a ponto de narrar jogos que faiam outras pessoas odiarem o RPG para sempre tivemos dois magos recém despertos e sem orientação tentando fugir do domínio de um desses Ventrue de 300 anos que de tão entediados começam a se deleitar com o próprio poder.
é interessante notar que se não fossem as constantes piadas em off a tmosfera do jogo seria insuportável. Quem acha que Ravenloft é opressivo não chegou perto desse livro do fabuloso Phil Brucato.
Mas já que é um blog de RPG vamos à receita.
Pegue jogadores dispostos a entrar em outra experiências que saibam que a realidade é cruel e que Ravenloft é para maricas.
Peça-lhes fichas de Storyteller com 5/4/3 de atributos, 11/7/5 de habilidades, 2 de antecedentes, proíba recursos, dê 10 pontos de bônus, proíba a compra de antecedentes com pontos de bônus.
Alerte-os que eles ainda não tem nenhum ponto de força de vontade, portanto se quiserem ter vão ter que gastar seus exíguos pontos de bônus nisso.
Agora nós temos a base da cadeia alimentar nas ruas. Nada de anciões por aqui. Só pessoas a beira do abismo.
Arrume algum NPC sádico no sentido do marquês de Sade, não no sentido dos fouxos dos Tscimitze. Para quem não conhece Sade é um filósofos que parte do pressuposto que você só é livre na medida em que você tem poder sobre o outro. O que faz sentido, já que se você não tem poder sobre o outro o outro é que tem poder sobre você. Mas Sade vai mais além e diz que você só tem poder sobre o outro quando o obriga a sentir dor, o que ainda faz sentido, já que qualquer manipulação que não cause dor você está apenas convidando o manipulado, não obrigando.
O sadismo então é a filosofia de provocar dor (física, moral, emocional) no outro para sentir o próprio poder, e portanto a própria liberdade. O que faz com que descubramos que Ventrues são os vampiros mais cruéis existentes.
Depois de dor o bastante para jogadores normais já terem desistido há muito tempo dê poderes aos jogadores. Poderes sem manual de instruções e que tem o costume de aparecer em situações desesperadoras.
Naturalmente eles vão começar a controlar esses poderes depois de algum tempo.
Tente sincronizar a explosão de paradoxo que vai matar os jogadores pelo excesso de uso descuidado dessas habilidades com um confronto “final” com o sádico da história.
Claro que houve de quatro a três rolagens de dados na crônica inteira. Claro que todas elas foram resistidas. Claro que os jogadores não usaram as fichas para nada.
RPG é assim mesmo. As fichas servem só para criar a ideia do personagem para permitir que a gente jogue um bom prelúdio antes da ação começar.
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