Até onde você vai?
April 26th, 2009 by Cochise César
Image via Wikipedia
Se precisasse matar uma pessoa para salvar outra faria isso? E se fossem dez?
Para que lado? Responda os dois.
Dizem que se você tem pelo menos metade de um coração não vai ser fácil tirar a vida de alguém.
Agora vamos descer mais fundo.
Tortura. Causar dor excruciante. Algo bem pior que um tiro rápido e limpo. Bem mais próximo e pessoal. Você tem estômago? Como isso te afetaria?
Como você colocaria isso na sua sessão de RPG?
O que faria com que uma pessoa (razoavelmente) equilibrada recorresse a esse tipo de alternativa? O que faria com que um personagem jogador se visse diante dessa alternativa? Uma sugestão de algum NPC? Como ele dormiria no final do dia? Ouviria os gritos na sua memória? Ele teria coragem de não abandonar o processo no meio do caminho?
E se ele fosse a vitima?
Como iria superar isso? A sensação de impotência seria suportável? Como seria andar pela sua sabendo que teve objetos enfiados em nos buracos do seu corpo? Como poderia fazer sexo novamente depois de ser estuprado por todos os meios imagináveis?
A tortura não é um assunto simples no mundo real e não há motivo ara banaliza-lo no RPG. Poucas pessoas matam a familia e vao ao cinema. Menos ainda torturam a família e vão ao cinema.
Uma das coisas mais absurdas que se pode imaginar é um ogador que teima que seu personagem não cede à tortura e outra é o jogador que decide torturar um NPC levianamente. Estamos lidando aqui com tabus sociais respeitados mesmo por assassinos.
Dito isso, comecemos de verdade o post:
1 – pergunte se pode antes de bater.
Nem todos os grupos são estáveis o bastante ou mesmo tem intenção de ver a tortura em suas aventuras. Nada de fazer com que um deles sofra ou que isso seja necessário antes de uma conversa com o resto do grupo se pode-se abordar temas mais pesados. E isso vale para narradores e jogadores que queiram ver sangeu escorrendo com requintes de crueldade.
2 – Excesso anestesia
Sim, se todo fim de semana tiverem que espancar, enfiar agulhas nas genitais, dar choques, afogar e prender no pau de arara com o tempo ninguém vai nem ligar para isso. O Albergue é um filme de 90 minutos e pode abusar do sangue porque acaba. O jogo continua semana que vem, então nada de excessos.
3 – Dor não é tudo
Metade da tortura é humilhação, metade é dor. Por isso é comum deixar a vítima nua, estuprá-la ou fazê-la comer seus excrementos. O objetivo não é quebrar o corpo, mas o espírito para conseguir uma informação valiosa.
4 – Criatividade (mórbida) é importante
Não existem formulas. Algumas pessoas resistem mais a um tipo de coisa, outras a outros. Novos meios e técnicas sempre funcionam melhor que os d sempre, porque os jogadores vão ficar espantados/enojados.
5 – Acidentes acontecem
Torturas físicas pesadas costumam resultar em morte. E essa pode acontecer antes do interrigatório dar resultado.
O durante delimitado a parte mais importante começa.
O antes e o depois.
Se os personagens forem os torturados o antes tende a ser horrível. Paranóia, medo, fuga, risco. sem uma atmosfera pesada antes a tortura se reveste de absurdo. Um louco descontrolado, ao invés do ápice de uma progressão. Por começar abruptamente sua curta duração não marca. É preciso queela seja sentida antes de começar.
Depois que ela acaba, é bom que os personagens estejam bastante desequilibrados. Assassinatos costumam ocorer nesses momentos. E atormentar pesadelos depois. Talvez não realizados pelas vítimas, mas por seus salvadores horrorizados. O que faria se encontrasse seu melhor amigo com uma garrafa de coca cola enfiada no ânus? (para ficar nas leves)
As vítimas costumam sofrer de não aceitação de seu próprio corpo, paranóia, sindrome do pânico e outros depois de resgatadas. Cicatrizes profundas que podem motivar muitas histórias. E não basta a cura do corpo para superar os ferimentos na mente.
Se os personagens forem os torturadores o antes se recobre de uma importância ainda maior. O clima tem que ser de desespero completo. Relógios correndo rumo a um destino detestável. Medidas extremas só são tomadas em situações extremas. Nessas horas a balança pesa para um lado ou outro, mas a tortura sempre é a opção pela perdição individual. sempre o sacrifício, nunca o deleite. A que paraíso renuncia? Pelo que? O que vale ouvir sempre os mesmos gritos nas madrugadas? O que será preciso para fazer com que eles parem? Que jornada de purificação é preciso fazer? Como se sentir feliz com a solução que custou tanto? Se sujar do sangue, arrancar gritos, submeter alguém à ignomínia não é algo que uma pessoa saudável consiga fazer. Mas pode ser preciso fazer.
O mais interessante dessa jornada é que é uma jornada de salvação e perdição. A tortura resolve, mas os ecos podem destruir o culpado.
A parte interessante é só definir uma históriaque leve a uma situação ou a outra. Se o grupo estiver interessado.
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